A DIVERSIDADE DE CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS DOS PECUARISTAS E A GESTÃO DAS PASTAGENS NO SUL DO PARÁ

Livio Sergio Dias Claudino, Laura Angélica Ferreira Darnet, René Poccard-Chapuis

Resumo


O avanço e o crescimento de áreas de pastagens degradadas na Amazônia foram descritos nas décadas de 80-90, predominantemente, como um processo decorrente das baixas condições socioeconômicas de pecuaristas familiares. Estes estudos mostraram a relação entre o abandono seguido de venda das terras com áreas de pastagens degradadas e a migração das famílias para se reestabelecerem em novas áreas com mata, sendo esta dinâmica um motor do desmatamento na Amazônia. Com o objetivo de conhecer se este processo ainda contribui para o avanço em novas áreas de florestas na Amazônia, o presente estudo caracteriza a condição socioeconômica de 61 pecuaristas de São Félix do Xingu, Sul do Pará, e compara práticas de manejo das pastagens que são adotadas nas distintas categorias. Foram identificadas grandes diferenças na condição socioeconômica, havendo, no entanto, um padrão na forma de ocupar o espaço com predomínio de pastos e na forma de gerir as pastagens e os rebanhos, apontando para intensificação dos manejos, independente da categoria socioeconômica. Esse estudo mostra que as dinâmicas de migração associadas à degradação das pastagens, descritas nas décadas de 1980-90, foram substituídas pela permanência dos pecuaristas que contornam o problema da degradação das pastagens com modificações na gestão dos pastos.

Palavras-chave


Intensificação; Manejo de pastagens; Pecuária bovina; São Félix do Xingu

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