POLÍTICAS LOCAIS E IMPACTOS NA CONCEÇÃO DA EXPERIÊNCIA TURÍSTICA EM ESPAÇOS URBANOS – OS CASOS DO BAIRRO ALTO E DA MOURARIA, LISBOA

António José Tavares da Costa Xavier, António Sérgio Araújo de Almeida

Resumo


A reabilitação urbana do património arquitetónico e monumental em
bairros históricos tende a propiciar a disputa na utilização/apropriação
dos “novos” espaços daí resultantes, não só por novos moradores,
normalmente de classes sociais mais abastadas, mas também por
novos comerciantes, mais especializados em contextos empresariais.
Surgem, assim, novos espaços de residência, lazer, entretenimento e
cultura, entre outros. Apurar contributos locais para que bairros
típicos proporcionassem experiências locais e turísticas diferenciadas
na perspetiva da fidedignidade às origens foi um dos grandes objetivos
deste trabalho. Paradoxalmente, conforme observado na cidade de
Lisboa e após uma investigação realizada em 2014 e 2015, a mesma
governação local de reabilitação urbana suscita ambivalências a vários
níveis. Por um lado, promovendo identidades e valores que
caracterizam objetivamente a Tradição e a História num regime de
reciprocidade com os habitantes locais, e, por outro lado,

transformando espaços onde os valores culturais se assumem numa
função comercial sem correspondência nas expectativas das gentes
locais nem coerência com a autenticidade (resultante dos valores
identitários) dos respetivos espaços. Enquanto no Bairro Alto permitiuse
aos investidores a decisão na apropriação e utilização do espaço, na
Mouraria, registou-se um processo de governação integrada com a
mobilização da população residente e forças ativas do bairro. No
primeiro caso, surgiram conflitos entre novos e velhos utilizadores do
bairro, assumindo-se a oferta turística como espaço de animação
noturna centrada num espaço público de boémia, no consumo de álcool
e num ambiente de festa permanente No segundo caso, geraram-se
sinergias propiciadoras de uma reabilitação urbana defensora da
mobilização das estruturas identitárias do bairro, promovendo estilos
de vida tradicionais e resgatando o seu imaginário coletivo assente nos
seus próprios sistemas de valores. Na Mouraria, observa-se um
Turismo comunitário, envolvendo gentes locais, que, apropriando-se do
seu espaço turístico, o projetam no pressuposto de consubstanciar
objetivamente o seu património numa experiência turística
diferenciada.


Palavras-chave


Apropriação Espacial; Identidade; Políticas Turísticas

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