INTERAÇÕES ENTRE DESCONFIANÇA INTERPESSOAL E DESIGUALDADE ECONÔMICA NO BRASIL

Paulo Roberto Grangeiro Rodrigues

Resumo


Há correlações positivas estáveis e duradouras entre a desigualdade econômica conforme medida no índice de Gini (medida de desigualdade de renda da população) e o nível de (des)confiança interpessoal medido nas pesquisas do WVS – World Values Survey (medida com uma única pergunta), desde 1995. O Brasil está sempre entre os primeiros nas duas medidas. A desconfiança interpessoal é fator que prejudica o capital social das pessoas, assim como o capital humano da sociedade e, consequentemente, a economia do país. Pesquisadores buscam os determinantes da desconfiança interpessoal, e avaliam fatores como renda, educação, “raça”, etnia e sexo, no entanto, no caso do Brasil, nenhum fator isolado explica os altos níveis de desconfiança interpessoal, apontando para um “efeito país”. Nesta pesquisa argumentamos que se trata de um fator de personalidade que, no entanto, não tem base temperamental, mas resulta das experiências pessoais e da aprendizagem social, vividas coletivamente em um ambiente social de desigualdade e violência extremas, favorecendo a ansiedade e as estratégias ilusórias para se lidar com ela. Usamos o Questionário dos 16 Fatores de Personalidade em uma amostra de estudantes brasileiros para demonstrar essa afirmação com a dimensão Desconfiança. Os resultados das análises mostraram que o grupo dos que o grupo dos que conhecem a astrologia dos signos é significativamente mais desconfiado do que o grupo que desconhece, apontando que aqueles se utilizam do conhecimento para tentar prever e se prevenir quanto ao comportamento dos outros. Para a diminuição da desigualdade, portanto, não bastam as intervenções econômicas, exige-se intervenção psicossocial que diminua progressivamente o nível de desconfiança interpessoal.


Palavras-chave


Capital social. Confiança. Índice de Gini. Desigualdade. Questionário dos dezesseis fatores de personalidade. Sociedade brasileira.

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