ENTRE A TRADUÇÃO/OBJETIVAÇÃO DO SUJEITO DA OBJETIVAÇÃO E NOVAS SUBJETIVIDADES ARTÍSTICO-CULTURAIS, NO RELATO DE UMA VIAGEM DE CAMPO

Edson Farias

Resumo


À luz do problema em torno da reflexividade nas ciências sociais, neste artigo dialogamos tanto com a discussão sobre tradutibilidade intercultural em James Clifford, quanto com o debate sobre a objetivação do sujeito da objetivação sociológica, tal como se apresenta em Pierre Bourdieu. Uma e outra vertente são mobilizadas ante duas interrogações referentes à relação entre pesquisador e agentes e grupos culturais locais; questões que se levantaram durante a viagem de campo, realizada, em 2016, pelo pesquisador, por conta da realização do “Processo de Instrução Técnica do Inventário do Reconhecimento do Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins”, na execução convênio entre o Grupo de Pesquisa Cultura, Memória e Desenvolvimento da Universidade de Brasília e o Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional. São elas: de um lado, os efeitos sociodiscursivos do recurso ao léxico “cultura” como fator de mediação e de tradução na interação de ambos os polos; de outro, as condições sócio-históricas de possibilidade não só do encontro, sobretudo, da posição de tradutor ocupada pelo pesquisador. Leva-se ao status de objeto de pensamento a dupla autoridade (legislativa e cognitiva) deste último e suas implicações na classificação/definição de um bem cultural.

Palavras-chave


tradução, objetivação, sujeito da objetivação, novas subjetividades, arte/cultura, Amazonas.

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