JOVENS RURAIS DO RIO GRANDE DO SUL/BRASIL: QUESTÕES DE GÊNERO NA SUCESSÃO GERACIONAL

Raquel Breitenbach, Graziela Corazza

Resumo


Questões de diferenciação de gênero no processo de sucessão familiar rural no Brasil estão presentes no cenário machista que compromete o futuro do meio rural. Levando em consideração estes aspectos, objetivou-se identificar se as jovens mulheres rurais do Rio Grande do Sul (RS) projetam seu futuro no campo, pretendem ser sucessoras da propriedade rural de sua família, ou vislumbram um futuro no meio urbano. Aliado a isto, buscou-se identificar fatores que influenciam a sucessão familiar e a permanência destas jovens no campo, bem como possíveis distinções de gênero envolvidas neste processo. Para o levantamento de dados quantitativos utilizou-se de questionário fechado, aplicado no segundo semestre de 2018 a 743 jovens homens e mulheres rurais que cursavam o Ensino Médio no RS. Pode-se constatar que, apesar de 47,9% dos jovens terem interesse em permanecer no meio rural, as jovens mulheres, quando comparadas aos jovens homens, além de serem menos incentivadas pelos pais a permanecer na propriedade, têm menos interesses em todos os aspectos que se relacionam com o meio rural, como: ser sucessor (28,6%), ser gestor (31,5%), e permanecer na propriedade (33,5%). O não reconhecimento e desvalorização do trabalho feminino, as dificuldades encontradas no trabalho no campo, além de possibilidades de profissionalização e ganho de autonomia no meio urbano, impulsionam o interesse das jovens mulheres em sair do meio rural.

Palavras-chave


Jovens mulheres. Agricultura familiar. Passagem do patrimônio.

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ISSN 1809-239X