RESTRIÇÕES A BIOECONOMIA INCLUSIVA:
UMA ANÁLISE NEOINSTITUCIONAL DA CADEIA PRODUTIVA DO MURUMURU NA AMAZÔNIA
DOI:
https://doi.org/10.54399/rbgdr.v22i3.8765Palavras-chave:
Bioeconomia inclusiva. Neoinstitucionalismo. Custos de transação. Desenvolvimento regional. Amazônia.Resumo
O presente artigo analisa as restrições à consolidação da bioeconomia inclusiva na Amazônia, com foco na cadeia produtiva do murumuru na Regional do Juruá, no estado do Acre. Parte-se do problema de pesquisa que investiga o descompasso entre o potencial da bioeconomia como estratégia de desenvolvimento regional sustentável e sua efetiva capacidade de gerar inclusão produtiva e dinamização econômica nos territórios. O objetivo central consiste em identificar os fatores institucionais, econômicos e territoriais que condicionam esse descompasso, a partir da atuação da Coopercintra. O referencial teórico fundamenta-se na abordagem neoinstitucional, com ênfase nas contribuições de North e Williamson, especialmente no que se refere ao papel das instituições e dos custos de transação na coordenação das atividades econômicas. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, combinando análise documental de registros administrativos e políticas públicas com pesquisa empírica baseada em entrevistas semiestruturadas e observação direta. Os resultados evidenciam que a cadeia produtiva do murumuru é fortemente condicionada por elevados custos de transação, decorrentes de limitações logísticas, assimetrias de informação, fragilidades institucionais e dependência de subsídios públicos. Embora iniciativas organizacionais, como a cooperativa, e ativos territoriais contribuam para mitigar parte desses entraves, persistem restrições estruturais que limitam a agregação de valor e a autonomia econômica dos produtores. Conclui-se que a consolidação da bioeconomia na região depende do fortalecimento institucional, da redução dos custos de transação e da implementação de políticas públicas integradas e territorializadas.
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