CORPOS QUE SUSTENTAM A CIDADE, TERRITÓRIOS QUE OS NEGAM: UMA LEITURA INTERSECCIONAL SOBRE AS DESIGUALDADES URBANAS NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.54399/rbgdr.v22i4.8642Palavras-chave:
Gênero, Raça, Território, Interseccionalidade, Desigualdade socioespacialResumo
Este artigo investiga a produção espacial das desigualdades no Brasil a partir da intersecção entre gênero, ‘raça’, classe e território, com foco nos corpos-territórios de mulheres negras chefes de família. Fundamentado em epistemologias feministas situadas e na noção de corpo-território, o estudo busca compreender como desigualdades estruturais se distribuem e se materializam no espaço urbano brasileiro. Metodologicamente, utiliza-se uma abordagem quantitativa com base nos dados do Censo de 2022 do IBGE, articulando variáveis relativas ao sexo e à cor ou raça da pessoa responsável pelo domicílio com indicadores de acesso à infraestrutura urbana. A partir da construção de indicadores proporcionais e de sua espacialização em escala municipal, são identificados padrões de concentração de vulnerabilidades, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Os resultados evidenciam que domicílios chefiados por mulheres pretas e pardas se encontram mais expostos a condições precárias de acesso a serviços básicos, revelando a sobreposição de desigualdades sociais e territoriais. Conclui-se que tais padrões não são aleatórios, mas expressão de processos históricos e estruturais que articulam racismo, patriarcado e desigualdade regional. O artigo contribui ao evidenciar como a análise espacial, quando orientada por uma perspectiva interseccional e situada, permite não apenas descrever, mas problematizar a produção desigual do território.
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