MOVIMENTO SOCIAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU ENQUANTO ESPAÇO NÃO FORMAL PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIENTÍFICA
DOI:
https://doi.org/10.54399/rbgdr.v22i4.8625Resumen
Os movimentos sociais constituem espaços de educação não formal, que promovem aprendizagens baseadas na experiência, no diálogo e na ação coletiva. Nesse sentido, investigamos como os movimentos sociais de quebradeiras de coco babaçu se constituem em espaços não formais de educação ambiental e de educação científica, ao articular saberes científicos e tradicionais. Participaram da pesquisa 16 mulheres da comunidade quilombola Olho d’Água dos Negros, localizada em Esperantina, Piauí. Os dados foram coletados por meio de registros etnográficos, observação participante e aplicação de entrevistas semiestruturadas. Os resultados evidenciam que a aprendizagem da quebra do coco babaçu ocorre predominantemente no âmbito familiar, sobretudo com as mães, assegurando a transmissão intergeracional dos saberes. Observamos o uso integral da palmeira para alimentação, geração de renda, fins medicinais e práticas domésticas, fundamentado na observação e na experimentação. As quebradeiras reconhecem que esses saberes tradicionais contribuem diretamente para a conservação dos babaçuais e o respeito aos ciclos naturais. Dessa forma, as práticas das quebradeiras de coco configuram saberes tradicionais fundamentais para a manutenção do ecossistema, evidenciando elementos da educação ambiental crítica em suas vivências e aspectos da educação científica relacionados à sustentabilidade, especialmente no uso consciente dos produtos e subprodutos da palmeira babaçu.
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