EPISTEMOLOGIAS DA FLORESTA: PROTAGONISMO FEMININO E A DESCOLONIZAÇÃO DA CIÊNCIA NA AMAZÔNIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.54399/rbgdr.v22i4.8571

Resumo

O artigo analisou, em perspectiva comparativa, os mecanismos que estruturam visibilidade, liderança, circulação e reconhecimento em trajetórias científicas femininas consolidadas na Amazônia. O argumento central sustentou que a produção científica regional é territorializada e atravessada por assimetrias materiais e simbólicas, nas quais regimes de validação e avaliação operam como infraestruturas de reconhecimento. O referencial integrou território e desenvolvimento regional (Santos, 1996; Becker, 2004; Sachs, 2002; Sen, 1999) à crítica decolonial e às Epistemologias do Sul (Quijano, 2000; Mignolo, 2009; 2011; Santos, 2009; 2014), articulando ainda feminismo decolonial e barreiras microinstitucionais associadas ao “teto de vidro” (Lugones, 2007; Mohanty, 1988; Acker, 1990; Cotter et al., 2001). Metodologicamente, realizou-se estudo de caso múltiplo comparativo (2x2), com amostragem intencional e replicação analítica (Yin, 2018; Eisenhardt, 1989; Patton, 2015), a partir de dados públicos do Currículo Lattes e de um corpus de publicações submetido a curadoria, análises bibliométricas, redes de coautoria, mineração de texto (TF-IDF/PCA) e análise de conteúdo, com integração por inferência convergente (Creswell e Plano Clark, 2018). Os resultados indicaram um núcleo temático amazônico compartilhado combinado a assinaturas lexicais diferenciadas, sugerindo que o protagonismo científico feminino na região se organiza como constelação de agendas (educação/linguagem, governança/desenho institucional, sistemas produtivos/sustentabilidade). O painel de indicadores evidenciou arranjos distintos entre territorialização, internacionalização e liderança, apontando que a conversão de agendas territorializadas em circulação ampliada ocorre por caminhos heterogêneos, sob mediações não neutras. Concluiu-se que “epistemologias da floresta” designam não apenas temas amazônicos, mas condições e disputas pelas quais o conhecimento é produzido e reconhecido em um território periférico do Sul Global.

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Biografia do Autor

Rossicléa Ferreira do Nascimento, UNAMA

Doutoranda em Administração (PPAD-UNAMA), bolsista Capes, Belém-PA, Brazil, Email: rossinascimento@gmail.com 

Josué de Lima Carvalho, UFRA/UNAMA

Doutorando em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da UNAMA (PPAD/UNAMA), Professor Assistente A na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Paragominas-PA, Brasil. Email: josue.carvalho@ufra.edu.br.

Vanusa do Carmo Souza de Freitas, UNAMA

Doutoranda em Administração (PPAD-UNAMA), Ministério da Defesa - Aeronáutica, Belém-PA, Brasil, Email: vanusasouza2@hotmail.com.

Ana Margarida Santiago, UFRA

Doutora em Administração (PPAD-UNAMA), Professora adjunta UFRA, Paragominas-PA, Brasil. Email: anamargos@yahoo.com.br

Ynis Cristine de Santana Martins Lino Ferreira, UFRA

Doutora em Administração (PPAD-UNAMA), professora adjunta UFRA campus sede, Belém-PA, Brasil. Email:  ynis.cristine@ufra.edu.br.

Publicado

04.11.2026

Como Citar

Nascimento, R. F. do, Carvalho, J. de L., Freitas, V. do C. S. de, Santiago, A. M., & Lino Ferreira, Y. C. de S. M. (2026). EPISTEMOLOGIAS DA FLORESTA: PROTAGONISMO FEMININO E A DESCOLONIZAÇÃO DA CIÊNCIA NA AMAZÔNIA. Revista Brasileira De Gestão E Desenvolvimento Regional, 22(4). https://doi.org/10.54399/rbgdr.v22i4.8571

Edição

Seção

Dossiê - Protagonismo Feminino, Ciência e Desenvolvimento Regional na América Latina
Agências de fomento
À CAPES