A FERROVIA BIOCEÂNICA E O DESENVOLVIMENTO REGIONAL: IMPACTOS POTENCIAIS NO ESTADO DO ACRE, AMAZÔNIA SUL-OCIDENTAL
DOI:
https://doi.org/10.54399/rbgdr.v22i2.8423Palabras clave:
Ferrovia Bioceânica, Desenvolvimento Regional, Integração Logística, Governança Multiescalar, Amazônia Sul-OcidentalResumen
A configuração logística da América do Sul foi, historicamente, orientada para o eixo atlântico, o que consolidou baixos níveis de integração intrarregional e acentuou desigualdades territoriais. Nesse contexto, a Ferrovia Bioceânica surge como iniciativa estratégica ao conectar Brasil e Peru ao Oceano Pacífico, diversificando rotas de exportação e reposicionando o país nas cadeias globais de valor. Dessa forma, este artigo tem como objetivo analisar os impactos potenciais da ferrovia sobre o estado do Acre, território marcado por vulnerabilidades estruturais e baixa inserção em fluxos logísticos. Metodologicamente, o estudo adotou uma abordagem qualitativa, de cunho exploratório e descritivo, combinando pesquisa bibliográfica, a partir de uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL) e pesquisa documental de fontes institucionais nacionais e organismos multilaterais. Os resultados indicaram que, embora a ferrovia possa reduzir custos logísticos e ampliar a conectividade regional, seus efeitos positivos não são automáticos e dependem de políticas territoriais articuladas com o desenvolvimento local dos municípios em que perpassará. Mormente, como contribuição, o artigo propõe uma diretriz de desenvolvimento regional estruturada em quatro eixos interdependentes — infraestrutura e logística integrada, reconfiguração produtiva, planejamento territorial sustentável e capacitação institucional — concebida para transformar a ferrovia em vetor de inclusão produtiva, justiça territorial e desenvolvimento sustentado e multidimensional. O modelo proposto, modular e adaptável, pode orientar não apenas o Acre, mas também outros territórios periféricos atravessados por grandes projetos de integração física no Sul Global.
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